Domingo, 05 de Fevereiro de 2012
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Pontos Cantados


Veremos em diversos seitas e religiões os mantras e músicas. Acredito que pouquíssimas são as crenças que de alguma forma não haja a musicalidade. Assim veremos os mantras nas religiões e filosofias orientais, veremos as músicas sacras nas igrejas, a música gospel nas evangélicas, e mesmo no espiritismo veremos uma música suave de fundo para que exista uma maior introspecção.
 
Na Umbanda um dos fundamentos pilares e impossíveis de serem descartados são os pontos cantados. A famosa curimba que é composta pela voz, pelas palmas e pelo atabaque. É essa curimba que promoverá a unidade de pensamento no ambiente, levando todos os presentes a elevarem seus pensamentos na mesma direção, funcionando como um elemento de concentração. Mas também é um elemento de evocação. É pela curimba que evocamos os reinos e os orixás, é pela curimba que propiciamos a vinda das entidades, já que estas nos elevarão o pensamento e a vibração.
 
A própria ressonância que os pontos cantados emitem em nosso crânio propiciam uma maior elevação e uma maior aproximação dos nossos guias. Combatem a dispersão mental e as fugas. Auxiliam os médiuns a entenderem o ritual e a criarem disciplina mental e de postura, além do que ativa os chacras facilitando as incorporações. Trazem energias que são fundamentais na magia, buscando energias purificadoras, ou reabilitadoras, e assim por diante. Serve como vibração que auxilia na composição das energia naturais, energias astrais e o ectoplasma na concretização da magia e do trabalho.
 
Enfim é a própria religião na ação do verbo.
 
Poderemos ver terreiros que não utilizam atabaques, que não aceitam palmas, mas todos, absolutamente todos não poderão prescindir dos pontos cantados.
 
Assim ninguém pode se furtar de praticar, de se dedicar e de cantar em todas as giras.
Uma vez o Sr. Caboclo Ogum Megê em um dos poucos momentos em que a nossa gira não estava cantando afirmou que os médiuns que cantam estão praticando a caridade, pois juntos estão criando a harmonia e aquele que não canta, faz ato egoísta, pois sobre diversos pretextos deixa de ajudar a elevar a vibração de todo o ambiente ao passo que não externa a força dos pontos cantados.
 
Assim da próxima vez que estivermos em uma gira, não vamos nos abster, não vamos omitir, vamos entender e participar muito ativamente deste fundamento da nossa UMBANDA.
 
Uma das coisas que faz com que muitos tenham preconceito e até aversão a Umbanda é a utilização de bebidas alcoólicas pelas entidades. Antes de explicarmos a razão e os mistérios desse fundamento, vamos fazer um paralelo com outras religiões. 

Qual foi um dos milagres de Jesus Cristo, a água transformada em vinho. Na Igreja Católica Apostólica Romana e nas Católicas Ortodoxas no sacramento da eucaristia o pão representa a carne de Cristo e o Vinho representa o sangue de Cristo, em uma ação que remete à última ceia, demonstrando a união de todos, a comunhão dos fiéis com o filho de Deus. 

Em muitas religiões da África o vinho de palma, entre outras bebidas com teor alcoólico, são néctares das divindades. Os Gregos possuíam uma divindade para o Vinho, Baco. Em religiões e cultos xamânicos e ameríndios, em situações determinadas muitos pajés, fazem uso de bebidas com características semelhantes às alcoolizadas. 

Enfim, diversas são as religiões que se utilizam da bebida alcoólica como um de seus fundamentos. 

Na Umbanda não é diferente, o álcool tem um significado e uma utilização clara e com muito fundamento.


O álcool representa em si mesmo a essência dos elementos: é líquido, veio da terra (cana), pega fogo e é extremamente volátil. É da própria constituição que se assemelha ao éter, e assim à passagem do plano material para o etéreo. 

Não só do ponto de vista magístico, mas de outros pontos de vista existe a razão da utilização desse elemento. Comprovadamente é um anti-séptico, ou seja, limpa e desinfeta regiões. 

É utilizado como desinfetante. Junto com a água serve como excelente diluidor. O álcool 70 (álcool a 70%) é muito utilizado em hospitais e clínicas para a limpeza (assepsia) das mãos e de balcões e utensílios. O álcool de cereais é utilizado em muitos medicamentos para a sua conservação e diluição. O álcool em forma de brandy é utilizado na homeopatia e na medicina floral para a conservação dos medicamentos. Isto para citar alguns exemplos do uso desta substância. 

Sua geometria química também auxilia na modelação e materialização (desmaterialização) no plano astral, permitindo que as entidades se utilizem da matéria etérica do álcool para as curas e desinfecções, além de seus efeitos no campo astral na limpeza de miasmas, larvas astrais e outros tipos de concentrações de energias deletérias. 

Junto com o fogo e com a fumaça (defumação e tabaco) são essenciais na destruição de campos deletérios e de vínculos realizados por feitiçaria. Ou seja, há uma razão para a utilização do álcool, sob diversos pontos de vista. 

A pergunta que permanece e gera controvérsia é a ingestão das bebidas alcoólicas pelos médiuns incorporados. Para começarmos a responder esta pergunta, primeiro temos que observar que nenhum médium ingere bebidas alcoólicas antes de suas incorporações, aliás, devemos nos abster, pelo menos, 24horas antes do início das giras de qualquer bebida alcoólica. Nenhum médium se embriaga, não há a ingestão de bebidas em quantidades exorbitante. 

Assim, as bebidas alcoólicas ingeridas pelos médiuns já incorporados não é feito para entrarem em um estado de consciência alterado, ou para entrarem em transe, uma vez que se o fizessem com esta finalidade deveriam fazer antes de sua manifestação mediúnica, e não após a mesma. 

Ou seja, o álcool ingerido serve a outros propósitos que não o da embriaguez, ou para a alteração dos estados de consciência. “Mas se não tem esta razão por que se deve bebê-lo, e não apenas ter este elemento no ponto, ou no chão?” Alguns podem ainda questionar. Primeiramente devemos recordar que o álcool ingerido tem sua eliminação prioritariamente pelo sistema respiratório, ou seja, pelo pulmão. 

Quando o álcool é absorvido pelo organismo, a primeira e maior parte do álcool é expelido na nossa respiração, é por isto que o bafômetro pode detectar quem ingeriu e quem não ingeriu álcool e qual a sua quantidade. Assim quando um médium incorporado toma a bebida alcoólica imediatamente ele começará a ser eliminado pelos pulmões. E o que é que as entidades fazem? Não dão sopros ou baforadas para limpar e ajudar a assistência? Não vão em suas consultas administrar vibrações, passes, e com eles aplicar sopros? É neste momento que o astral irá manipular o álcool para criar as condições necessárias para a limpeza, a materialização ou desmaterialização. 

Então a entidade incorporada começa a soprar, dar suas baforadas nos consulentes criando as condições materiais e astrais para a realização da magia da Umbanda, sob o axé e a graça dos Orixás. 

Cabe ainda ressaltar a importância do sopro. Em um mito temos que Nanã deu o barro para Obatalá moldar os humanos, este protegido e assistido por Exu moldou e deu forma ao homem e a mulher, mas quem deu a vida, o espírito foi Olorum com o seu sopro. História muito semelhante encontraremos na Bíblia, no livro do Gênesis, em que do barro Deus fez o homem e com o sopro lhe deu a vida. Os alquimistas e muitos cientistas dos séculos passados acreditavam que o sopro era a fonte de vida. Chamava o sopro a essência vital, sem ele não haveria vida. Os pajés em suas curas sempre fazem uso do sopro. As mães e pais quando um filho se afoga, se machuca logo vão assoprar suas crianças para lhe ajudarem. O que queremos dizer é que é pelo sopro que passamos nossa energia vital, nossa vontade, nossas energias curadoras. 

Com este ato, aliado ao álcool que criará as condições materiais e etéricas para a cura, aliado aos elementais, as energias da natureza, ao ectoplasma dos médiuns e a energia astral dos Guias e dos Orixás é que a Umbanda faz seu trabalho. 

Enfim, o álcool é um dos fundamentos da Umbanda e é muito utilizado na magia e nas mirongas, saber o porquê de seu uso, e combater o preconceito quanto a ele, somente engrandece nossa força, e traz respeito aos fundamentos e a maneira de fazer caridade da Umbanda. 

Saravá a todos! 


P.S. O uso do álcool é feito de forma ponderada, equilibrada e dentro de inúmeros sistemas de controle em uma religião, o seu uso fora deste sistema, não é recomendado, e deve ser evitado.
 
As guias ou colares que todos usam a começar da guia de Oxalá tem significado duplo. Primeiro de proteção, que aquele médium carrega consigo elementos que foram e são constantemente carregados pela energia dos Orixás, promovendo uma circulação de energias protetoras e de descarga não permitindo que energias deletérias se fixem no médium; que não haja a influência de espíritos trevosos nos trabalhos. Segundo significado é a própria ligação espiritual daquele filho com o Orixá ou entidade correspondente. Como uma insígnia demonstrando a todos que somos soldados, servos, membros desse exército. Subordinamo-nos e aceitamos aquele Orixá ou entidade como nosso Pai, e nosso comandante, por isso não agimos, não trabalhamos por nosso interesse exclusivo e sim pelo interesse maior da Luz e da Caridade.

Por essa razão ao entrarmos na Umbanda nos é permitido a utilização da guia de Oxalá e da guia de esquerda. 

Apenas após o Amaci é que podemos utilizar a guia do nosso Orixá ancestral, nosso Pai de Cabeça. Pois não é um ato mecânico e sem importância a utilização dessas guias. As guias das entidades tem significado semelhante, mas acrescido de uma força mágica para auxiliar na condução, liberação e direcionamento das energias do médium para os trabalhos daquela entidade. Isso significa que apenas aqueles que já foram liberados para o toco (médiuns que podem dar consultas nas giras) poderão usar essas guias de entidades. Lembrado que na nossa Casa todas as guias devem ser fechadas pelo Pai de Santo.
 
Em todos os terreiros de umbanda iremos nos deparar com um momento chamado defumação. E como diz um de nossos pontos cantados "Filho quer se defuma, Umbanda tem fundamento, é preciso preparar..."

A defumação é a queima de algumas ervas e resinas e sua transformação em fumaça pela ação do fogo. Exalando e soltando suas essências. Assim a defumação vem trazer a força e a magia das ervas e assim dos Orixás. É bom lembrar que algumas ervas possuem propriedades terapêuticas e propriedades espirituais. A defumação utiliza e extrai o poder das ervas do seu ponto de vista espiritual ou astral.

Por exemplo, a guiné, a arruda e o alecrim, que também servem para banhos de descarrego, são utilizados nas defumações para afastar e dissolver e transmutar energias deletérias. Atrair energias positivas e eliminar miasmas e larvas astrais.

A defumação ao mesmo tempo em que serve como uma grande vassoura astral serve como um imã de boas energias, cabendo aos seres daquela localidade manter um padrão vibratório alto que a localidade permanecerá com muita energia positiva.

Além de suas propriedades astrais a defumação ajuda a mente do médium e da assistência, ou dos residentes daquele local, a entrarem em contato com os guias e protetores. Ou seja, o perfume da defumação estimula nossos centros nervosos (plexos) a captarem com mais qualidade as energias superiores, mantendo a mente da pessoa mais concentrada e propícia a esta percepção.
 
A Vela é o maior elemento e instrumento mágico presente na Umbanda. Praticamente nenhum trabalho é realizado sem a presença de pelo menos uma vela. 

A vela sintetiza os quatro elementos com destaque para o fogo e a terra. Em geral as velas são produzidas pela parafina que é um derivado do petróleo, que nada mais é do que elementos orgânicos em milhares de anos acumulados e decompostos. Há algumas velas que são produzidas por cera, seja cera de carnaúba (uma árvore, palmeira, do Nordeste), seja pela de cera de abelha. As duas também são produtos orgânicos. 

A principal intenção de uma vela é a iluminação, o caminho de luz. É a chama de uma vela que simboliza a presença da energia iluminada, a representação da energia que a entidade ou que nós estamos querendo trazer. 

Além disso, a vela é um elo, uma ligação entre aquele que está pedindo, aquele a quem o pedido é destinado Orixá, Deus, entidade, e aquele para quem o pedido é, podendo ser a própria pessoa ou seu familiar, amigo, etc., ou seja o destinatário do pedido. Por isso a importância da atenção e da concentração no momento de acendermos uma vela. 

A vela pela própria ação do fogo simboliza a magia: a terra sob a ação do fogo se transforma em ar e água. 

O número das velas pode representar inúmeras situações. Desde a diferença entre questões matérias e espirituais, até a própria simbologia humana. Em geral utilizamos 7 velas, para que aquela ação, aquele pedido, aquele agradecimento entoem nas 7linhas, nas sete emanações de Deus-uno onde tudo está concentrado. 

E assim por diante. 

As cores das velas têm como significado principal a vibração original dos Oixás, assim verde para Oxossi, amarelo para Oxum, etc. Mas em determinados trabalhos as cores podem significar ouro, vida, paz, etc. E mesmo assim mantém em si a força do Oixá regente daquela cor. 

Temos que lembrar também que a ação de uma vela poderá ser ainda a consumação de determinada energia, a transmutação daquele estado em luz e calor. A Vela poderá ainda ser uma força de encaminhamento, de fluxo energético para resgatar e encaminhar espíritos. Poderá, também, ofuscar, destruir, intimidar espíritos malfazejos para que percebam a energia do amor e da luz Dvina. 

Isso estamos falando da vela, mas em geral há uma composição entre vela, fumo, comida, bebida, ponto riscado, etc. A união desses elementos produzirá uma variante de significados e de poderes amplos.
 
Pemba – Lei de Pemba – Pontos Riscados A Pemba, giz em forma oval, é o instrumento em que as entidades ou os médiuns traçam linhas, desenhos. Essa grafia, que alguns chamam de grafia dos orixás, são signos magísticos que abrem ou fecham portas, que trazem ou repelem energias, ativam ou desativam forças astrais e da natureza. 

Além disso, é a assinatura, é o emblema símbolo de determinada entidade. É pela grafia, pela lei de pemba, que podemos afirmar se é um caboclo, um preto-velho, qual preto ou qual caboclo e assim por diante. É uma forma de identificação, mas também de força e ativação e facilitação dos trabalhos. Vejamos algumas coisas na história. Em filmes de vampiros vemos que a cruz (crucifixo) afasta essa entidades malévolas, por quê? Pelo simples fato do crucifixo significar Jesus Cristo e seu martírio para salvar o homem, significa a vitória do bem contra o mal, da vitória da vida sobre a morte. Nos budistas veremos uma série de mandalas que significaram diversas emanações, energias, deuses, etc. Na Umbanda os Pontos Riscados, que são a manifestação lei de Pemba, trazem essa magia. Cada traço terá um significado e uma importância no ponto de determinada entidade. Serve também como um capacitor de energias, um condensador de energias, ou um diluidor de energias. Além da pemba se utiliza o ponteiro. Uma espécie de adaga sem fio de corte, pontiagudo que é a fixação do ponto. É a fortaleza e a antena do ponto, é como um para-raio as energias vão para o ponto e do ponto saem conforme a necessidade.
 
Primeiro texto sobre fundamentos, quero aqui trazer alguns apontamentos sobre aquilo que é essencial, aquilo que é um requisito, que fundamenta, enfim, nossa amada religião.

Para começarmos quero falar sobre os PONTOS CANTADOS.

Veremos em diversos seitas e religiões os mantras e músicas. Acredito que pouquíssimas são as crenças que de alguma forma não haja a musicalidade. Assim veremos os mantras nas religiões e filosofias orientais, veremos as músicas sacras nas igrejas, a música gospel nas evangélicas, e mesmo no espiritismo veremos uma música suave de fundo para que exista uma maior introspecção.
Na Umbanda um dos fundamentos pilares e impossíveis de serem descartados são os pontos cantados. A famosa curimba que é composta pela voz, pelas palmas e pelo atabaque. É essa curimba que promoverá a unidade de pensamento no ambiente, levanto todos os presentes a elevarem seus pensamentos na mesma direção, funcionando como um elemento de concentração. Mas também é um elemento de evocação. É pela curimba que evocamos os reinos e os orixás, é pela curimba que propiciamos a vinda das entidades, já que estas nos elevarão o pensamento e a vibração.
A própria ressonância que os pontos cantados emitem em nosso crânio propiciam uma maior elevação e uma maior aproximação dos nossos guias. Combatem a dispersão mental e as fugas. Auxiliam os médiuns a entenderem o ritual e a criarem disciplina mental e de postura, além do que ativa os chacras facilitando as incorporações. Trazem energias que são fundamentais na magia, buscando energias purificadoras, ou reabilitadoras, e assim por diante. Serve como vibração que auxilia na composição das energia naturais, energias astrais e o ectoplasma na concretização da magia e do trabalho.

Enfim é a própria religião na ação do verbo.

Poderemos ver terreiros que não utilizam atabaques, que não aceitam palmas, mas todos, absolutamente todos não poderão prescindir dos pontos cantados.

Assim ninguém pode se furtar de praticar, de se dedicar e de cantar em todas as giras.

Uma vez o Sr. Caboclo Ogum Megê em um dos poucos momentos em que a nossa gira não estava cantando afirmou que os médiuns que cantam estão praticando a caridade, pois juntos estão criando a harmonia e aquele que não canta, faz ato egoísta, pois sobre diversos pretextos deixa de ajudar a elevar a vibração de todo o ambiente ao passo que não externa a força dos pontos cantados.

Assim da próxima vez que estivermos em uma gira, não vamos nos abster, não vamos omitir, vamos entender e participar muito ativamente deste fundamento da nossa UMBANDA.
 

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