Domingo, 20 de Maio de 2012

Uso do álcool

Uma das coisas que faz com que muitos tenham preconceito e até aversão a Umbanda é a utilização de bebidas alcoólicas pelas entidades. Antes de explicarmos a razão e os mistérios desse fundamento, vamos fazer um paralelo com outras religiões. 

Qual foi um dos milagres de Jesus Cristo, a água transformada em vinho. Na Igreja Católica Apostólica Romana e nas Católicas Ortodoxas no sacramento da eucaristia o pão representa a carne de Cristo e o Vinho representa o sangue de Cristo, em uma ação que remete à última ceia, demonstrando a união de todos, a comunhão dos fiéis com o filho de Deus. 

Em muitas religiões da África o vinho de palma, entre outras bebidas com teor alcoólico, são néctares das divindades. Os Gregos possuíam uma divindade para o Vinho, Baco. Em religiões e cultos xamânicos e ameríndios, em situações determinadas muitos pajés, fazem uso de bebidas com características semelhantes às alcoolizadas. 

Enfim, diversas são as religiões que se utilizam da bebida alcoólica como um de seus fundamentos. 

Na Umbanda não é diferente, o álcool tem um significado e uma utilização clara e com muito fundamento.


O álcool representa em si mesmo a essência dos elementos: é líquido, veio da terra (cana), pega fogo e é extremamente volátil. É da própria constituição que se assemelha ao éter, e assim à passagem do plano material para o etéreo. 

Não só do ponto de vista magístico, mas de outros pontos de vista existe a razão da utilização desse elemento. Comprovadamente é um anti-séptico, ou seja, limpa e desinfeta regiões. 

É utilizado como desinfetante. Junto com a água serve como excelente diluidor. O álcool 70 (álcool a 70%) é muito utilizado em hospitais e clínicas para a limpeza (assepsia) das mãos e de balcões e utensílios. O álcool de cereais é utilizado em muitos medicamentos para a sua conservação e diluição. O álcool em forma de brandy é utilizado na homeopatia e na medicina floral para a conservação dos medicamentos. Isto para citar alguns exemplos do uso desta substância. 

Sua geometria química também auxilia na modelação e materialização (desmaterialização) no plano astral, permitindo que as entidades se utilizem da matéria etérica do álcool para as curas e desinfecções, além de seus efeitos no campo astral na limpeza de miasmas, larvas astrais e outros tipos de concentrações de energias deletérias. 

Junto com o fogo e com a fumaça (defumação e tabaco) são essenciais na destruição de campos deletérios e de vínculos realizados por feitiçaria. Ou seja, há uma razão para a utilização do álcool, sob diversos pontos de vista. 

A pergunta que permanece e gera controvérsia é a ingestão das bebidas alcoólicas pelos médiuns incorporados. Para começarmos a responder esta pergunta, primeiro temos que observar que nenhum médium ingere bebidas alcoólicas antes de suas incorporações, aliás, devemos nos abster, pelo menos, 24horas antes do início das giras de qualquer bebida alcoólica. Nenhum médium se embriaga, não há a ingestão de bebidas em quantidades exorbitante. 

Assim, as bebidas alcoólicas ingeridas pelos médiuns já incorporados não é feito para entrarem em um estado de consciência alterado, ou para entrarem em transe, uma vez que se o fizessem com esta finalidade deveriam fazer antes de sua manifestação mediúnica, e não após a mesma. 

Ou seja, o álcool ingerido serve a outros propósitos que não o da embriaguez, ou para a alteração dos estados de consciência. “Mas se não tem esta razão por que se deve bebê-lo, e não apenas ter este elemento no ponto, ou no chão?” Alguns podem ainda questionar. Primeiramente devemos recordar que o álcool ingerido tem sua eliminação prioritariamente pelo sistema respiratório, ou seja, pelo pulmão. 

Quando o álcool é absorvido pelo organismo, a primeira e maior parte do álcool é expelido na nossa respiração, é por isto que o bafômetro pode detectar quem ingeriu e quem não ingeriu álcool e qual a sua quantidade. Assim quando um médium incorporado toma a bebida alcoólica imediatamente ele começará a ser eliminado pelos pulmões. E o que é que as entidades fazem? Não dão sopros ou baforadas para limpar e ajudar a assistência? Não vão em suas consultas administrar vibrações, passes, e com eles aplicar sopros? É neste momento que o astral irá manipular o álcool para criar as condições necessárias para a limpeza, a materialização ou desmaterialização. 

Então a entidade incorporada começa a soprar, dar suas baforadas nos consulentes criando as condições materiais e astrais para a realização da magia da Umbanda, sob o axé e a graça dos Orixás. 

Cabe ainda ressaltar a importância do sopro. Em um mito temos que Nanã deu o barro para Obatalá moldar os humanos, este protegido e assistido por Exu moldou e deu forma ao homem e a mulher, mas quem deu a vida, o espírito foi Olorum com o seu sopro. História muito semelhante encontraremos na Bíblia, no livro do Gênesis, em que do barro Deus fez o homem e com o sopro lhe deu a vida. Os alquimistas e muitos cientistas dos séculos passados acreditavam que o sopro era a fonte de vida. Chamava o sopro a essência vital, sem ele não haveria vida. Os pajés em suas curas sempre fazem uso do sopro. As mães e pais quando um filho se afoga, se machuca logo vão assoprar suas crianças para lhe ajudarem. O que queremos dizer é que é pelo sopro que passamos nossa energia vital, nossa vontade, nossas energias curadoras. 

Com este ato, aliado ao álcool que criará as condições materiais e etéricas para a cura, aliado aos elementais, as energias da natureza, ao ectoplasma dos médiuns e a energia astral dos Guias e dos Orixás é que a Umbanda faz seu trabalho. 

Enfim, o álcool é um dos fundamentos da Umbanda e é muito utilizado na magia e nas mirongas, saber o porquê de seu uso, e combater o preconceito quanto a ele, somente engrandece nossa força, e traz respeito aos fundamentos e a maneira de fazer caridade da Umbanda. 

Saravá a todos! 


P.S. O uso do álcool é feito de forma ponderada, equilibrada e dentro de inúmeros sistemas de controle em uma religião, o seu uso fora deste sistema, não é recomendado, e deve ser evitado.

   

Fundamentos do Terreiro

Todo terreiro de Umbanda, ou melhor, todo templo religioso, deve ser fundamentado sobre algumas diretrizes e princípios dos quais todos os demais ensinamentos, ações e expressões devem sair. 

Assim manter público e sempre exposto os princípios e fundamentos de nosso terreiro deixarão claro como são os trabalhos, como dedicamos nossas vidas a nossa Umbanda e como procedemos os trabalhos de caridade. Acima de tudo tentamos manter vivos os ensinamentos de Jesus Cristo, o código moral e ético de nossa casa está sedimentado na vida e obra desse grande mestre da espiritualidade o nosso Senhor Jesus Cristo.

 São os fundamentos do TULAP – Cabana do Pai Tobias de Guiné.

    - A caridade - Ama a teu próximo como a ti mesmo 
    - A gratuidade de todos os atendimentos e trabalhos

    - A não utilização de sangue ou de sacrifício animal

    - Não é realizado nenhum trabalho para o prejuízo de alguém

    - Recepção com amor a todos, sem qualquer preconceito ou discriminação, seja pela condição social, condição financeira, pela cor da pela, ou pela raça, pelo sexo ou pela opção sexual ou pela religião

    - A crença em um único Deus (Umbanda é monoteísta)

    - A crença nos Orixás como emanações do próprio Criador

    - A sobrevivência do espírito (alma) após a morte carnal

    - A lei das reencarnações

    - A manifestação dos espíritos desencarnados no mundo material por meio dos médiuns

    - A lei de ação e reação ou lei kármica

    - Um ritual como forma de disciplina e orientação

    - Que a Umbanda é uma religião mediúnica e alquímica (ou magística)


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Oxum

A Orixá
Oxum representa o amor maternal, o amor não importando as dimensões. É a senhora da fecundidade, genitora. Senhora cujos domínios são as águas doces, rios, lagos, cachoeira e inclusive a chuva. É a senhora do Ouro e dos metais amarelos, assim tem forte ligação com a riqueza material.
Por essa razão é além da fecundidade protetora da gestação, e zeladora das crianças. Seria Oxum que cuidaria dos pequeninos desde a concepção até as crianças poderem raciocinar e se expressar.
É a representação da mãe jovem, ainda perplexa diante da maternidade. 
Para a Umbanda a emanação de Deus representada por Oxum nos trará a água da vida, que cessará a sede, nos refrescará, nos limpará e permitirá que nova vida brote dentro de cada um. Assim é um Orixá que emana renovação, limpeza astral, vitalidade e que permite nossas energias tenham um bom fluxo. Assim como todas as Orixás, nossa Mãe Oxum envia seus emissários para limpar e purificar os ambientes. Descarrega as energias deletérias e nos carrega de alegria e amor pela vida.
 
ARQUÉTIPO
Os filhos de Oxum preferem contornar um obstáculo a enfrentá-los diretamente. São como um rio, podem aparentar beleza e tranqüilidade, mas podem por dentro conter redemoinhos, buracos e pedras. 
São em geral pessoas teimosas, que quando teimam com uma coisa ou objetivo não desistem até conseguirem, sua obstinação e persistência nesses casos é forte.
As mulheres de Oxum são vaidosas e muito preocupadas com os cabelos. Tanto é que uma de suas armas para a sedução, para o seu charme são suas mexidas nos cabelos. Não são diretas na conquista de seus pares.
Em geral são pessoas amigas que gostam da vida social e das festas. Por vezes sua imagem é ligadas as pessoas com pouco de sobrepeso e risonhas. E apesar da vaidade e da vida em sociedade são pessoas discretas, temem muito escândalos e que sejam atrizes de situações constrangedoras, pois não suportam ver sua imagem de bondosas, frágeis, inofensivas destruída ou abalada.
Manhosas, dengosas e mimadas. Quando não são agraciadas, paparicadas consideram isso um ultraje, uma injustiça pois são merecedoras, sempre, de carinho e de colo, de cuidado. Em geral os filhos de Oxum parecem envelhecer menos, ou bem mais demoradamente que os demais, apresentando uma aparência jovem por mais tempo.
São pessoas que zelam por sua aparência, sobre o status social de como a sociedade e a comunidade em que vivem olham para elas. 
São muito sensíveis, qualquer palavra ou gesto mal empregado pode ser suficiente para provocar o choro, seja ele aparente ou não. Assim em geral podem ser dramáticos, possessivos e muito ciumentos. 
Sua saudação Ora Aie Ie o – Aieieo – Salve a benevolente mãezinha.
Dia da Semana – Sábado
Cor – amarelo (amarelo-ouro)
Ervas – Melissa (erva cidreira), ipê amarelo (flores e folhas), camomila, macela (marcela), calêndula (mal-me-quer), alfavaca-miúda, samambaia nativa, trevo-azedo (azedinha), bananeira (frutos), arnica (arnica-montanha), cipó-chumbo.
Amalá – 7 velas brancas, 7 velas amarelas, água mineral servida em coeté, pudim amarelo (pode ser um quindão, pudim de ovos), fitas amarela e branca, flores brancas e amarelas.
Outras comidas – canjica amarela, melão, banana (em especial a banana-ouro e exceção á banana-terra), manjar amarelo
   

Iansã

A Orixá

Iansã/Oiá é a Orixá mais guerreira. Não teme a demanda, na foge da luta ou dela se esquiva. Dominando os ventos, tempestades e o fogo Iansã usa esse elementos para praticar a justiça, para levar seu axé, ao mesmo tempo que com esses elementos afugenta os malfeitores, os envolve com sua beleza, os prende ou os espanta.

Iansã é a condutora dos espíritos, e com Omolu divide esse domínio. Enquanto Omolu cuida do processo de desencarne, o desligamento do espírito com a carne, Iansã conduz os espíritos depois do trabalho de Omolu para os locais de seu merecimento. 

Assim como o vento é um Orixá da renovação. (lembremos da expressão bons ventos). Normalmente Iansã sopra a brisa, que irá disseminar a vida, as sementes das plantas, o pólen que depois originará os frutos e assim por diante. Mas mesmo a tempestade que tudo destrói é a oportunidade da renovação, da reconstrução. Desfaz-se do velho e aceita-se o novo. 

Sem o vento de Iansã não se evaporam as águas, e estas não se renovam e não se tem a vida com a chuva. É uma emanação de Deus que traz elementos de outros Orixás. 

Assim de Ogum aprendeu a guerra e os caminhos, de Oxossi a caça, de Omolu o domínio dos eguns, de Oxalá a fé e a realeza, a paciência e o raciocínio. Por isso Iansã traz a energia para os Terreiros para controlar as almas, envolvê-las nas energias divinas, traz com o vento a força e as energias que serão usadas nas curas e nos atendimentos dos terreiros.
 
 
ARQUÉTIPO

São pessoas em movimento. Assim como o vento não querem ficar parados. Se não podem se locomover, com certeza seus pensamentos são intensos e ininterruptos. Um filho ou filha de Iansã tem dificuldade de aceitar ordens de se subordinar, não toleram críticas e por isso dificilmente conseguem permanecer em um mesmo trabalho por muito tempo. Entretanto cumprem suas missões e suas tarefas com muito zelo, pois como não gostam de críticas se esforçam para fazer as coisas de forma certa e precisa. Por causa dessa sua forma de trabalhar querem que os demais façam o mesmo, se esforcem, façam as coisas direito.

Não aceitam ver injustiças, e não se calam ao ver algo que lhes desagrade, imediatamente falam, gritam, esbravejam, mostrando seu descontentamento, não por vaidade ou mimo, mas por que querem que alguém vá e resolva, conserte, quando não podem fazer por si mesmas. Ao ver uma briga onde um homem grande e um homem pequeno lutam, de imediato vai defender o pequeno, mesmo sem saber quem é o responsável. Não aceita a opressão dos pequenos e indefesos.

São pessoas categóricas, e persistentes. Em geral sabem dominar o sexo oposto, atraí-los com seu charme. São muito explosivas, e com a mesma impetuosidade em que explodem ao acabarem com tudo voltam ao normal com muita rapidez. Ao contrário dos filhos de Ogum que também são impulsivos os filhos de Iansã não sentem remorso e nem ficam se torturando após a explosão. Simplesmente voltam ao normal.

Alguns dos seus filhos gostam de uma intriga ou de uma fofoca. Não sentem muito quando precisam de uma chantagem emocional para angariar seu objetivo. Gostam de ser o centro das atenções. Não conseguem disfarçar sua alegria ou sua tristeza. Por serem francos e transparentes não são pessoas dissimuladas, ou falsas.

Quando estão com alguém ou inseridos em uma comunidade, são leais e companheiros, defendendo seus entes queridos com toda a sua força. Não gostam que pessoas de fora de sua família ou de sua comunidade venham a dar palpite, fazer crítica sobre sua casa e sua família. Todos os seus atos são justificáveis, todos os atos dos seus entes são justificáveis, mesmo aqueles que todos acreditam ser injustificáveis, pois são adeptos da expressão popular "sapo de fora não dá palpite".

Em um conflito não pensam muito em estratégia, vão com tudo para cima, a coragem e a disposição são mais importantes. Não perdoam com facilidade traições e em podem ser vingativos, quando não controlam essa ira. Tem uma facilidade em manipular elementos, gostam da magia e dos encantos que ela desvela. Podem usar toda essa facilidade em prol de seus semelhantes.

Sua saudação: Epa Hei significa falar com espanto Olá. Esse espanto de grandeza de admiração ao ver o Orixá e dizer a ele Olá Iansã, Olá Oiá.

Dia da semana – Segunda-feira ou quarta-feira

Cor – Alaranjado

Ervas – Folhas de romã, folhas de pessegueiro, folhas de gerânio vermelho, folhas de bambu, espada de santa-bárbara, folhas de morango, folhas de louro, sensitiva ou dormideira;

Amalá – 7 velas laranjas, 7 velas brancas, fitas laranjas e brancas, água mineral servida em coeté, Acarajé (9 unidades), flores brancas e laranjas (de preferência palmas) 

Outras comidas – milho verde cozido e coberto com mel, pêssego, carambola, manga-rosa, maçã, romã.
   

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Quem sou eu!!


Caetano de Oxossi

Dirigente do Terreiro de Umbanda Luz, Amor e Paz - Cabana do Pai Tobias de Guiné. Estudante e aprendiz de nossa querida Umbanda 

Por que deste espaço?

Este é um espaço para que possamos debater e aprofundar nossos conhecimentos, resolver nossas dúvidas sobre Umbanda, e sobre religiões. Seu papel na libertação e na iluminação de nossos espíritos, sua função no Brasil e como funciona esta religação entre nós e o Criador.


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